Crônicas · ensaios · leituras
Neluna.
Leitura

Três livros pequenos que cabem no bolso da jaqueta

Edições de bolso que vale carregar, em qualquer estação.

Há livros que se pedem pequenos. Não por serem curtos — por serem próximos. Livros que a gente quer levar junto, abrir em qualquer fila, fechar sem culpa. Lista de três, todos em edição de bolso.

O primeiro é O aroma do chá, de Luís Fernando Verissimo. Cento e poucas páginas, capítulos que duram uma parada de ônibus. Boa companhia para uma manhã lenta.

O segundo é O livro do desassossego, de Bernardo Soares (Fernando Pessoa), numa edição que seleciona fragmentos. Não se lê do início ao fim. Abre-se em qualquer página, lê-se um parágrafo, fecha-se.

O terceiro é um caderno em branco. Sério. Antes de qualquer livro de bolso, levar um caderno de capa dura, pequeno, onde couber. Escrever é a melhor leitura que se faz esperando.

Nenhum desses livros resolve a vida. Resolvem coisa menor e mais útil: tornam suportável uma fila, um trem atrasado, uma espera qualquer. Para isso servem os livros pequenos.

Os grandes livros ficam em casa. Os pequenos saem com a gente. E são eles, no fim, que viram memória — porque acompanharam o dia.

Marília Quintas
Marília Quintas

escritora. Mantém o Neluna desde 2021, escrevendo sobre livros e o ritmo das cidades pequenas.

Usamos armazenamento local apenas para lembrar preferências. Sem rastreadores de terceiros.