Três livros pequenos que cabem no bolso da jaqueta
Edições de bolso que vale carregar, em qualquer estação.
Há livros que se pedem pequenos. Não por serem curtos — por serem próximos. Livros que a gente quer levar junto, abrir em qualquer fila, fechar sem culpa. Lista de três, todos em edição de bolso.
O primeiro é O aroma do chá, de Luís Fernando Verissimo. Cento e poucas páginas, capítulos que duram uma parada de ônibus. Boa companhia para uma manhã lenta.
O segundo é O livro do desassossego, de Bernardo Soares (Fernando Pessoa), numa edição que seleciona fragmentos. Não se lê do início ao fim. Abre-se em qualquer página, lê-se um parágrafo, fecha-se.
O terceiro é um caderno em branco. Sério. Antes de qualquer livro de bolso, levar um caderno de capa dura, pequeno, onde couber. Escrever é a melhor leitura que se faz esperando.
Nenhum desses livros resolve a vida. Resolvem coisa menor e mais útil: tornam suportável uma fila, um trem atrasado, uma espera qualquer. Para isso servem os livros pequenos.
Os grandes livros ficam em casa. Os pequenos saem com a gente. E são eles, no fim, que viram memória — porque acompanharam o dia.